Os empregos que a inteligência artificial não consegue roubar - Resenha crítica - 12min Originals
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Os empregos que a inteligência artificial não consegue roubar - resenha crítica

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Este microbook é uma resenha crítica da obra: 

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 

Editora: 12min

Resenha crítica

James Vandall tem vinte e cinco anos. Entrou na faculdade, largou, pulou de emprego em emprego sem saber o que queria da vida. Até que viu uma equipe de eletricistas refazendo a fiação da casa dele. Perguntou como entrar naquele tipo de trabalho. Hoje está num curso técnico de dezesseis meses em Pittsburgh que praticamente garante emprego no final.

A história do James seria só mais uma história pessoal... se não fosse parte de algo enorme acontecendo no mercado de trabalho. Enquanto milhões de profissionais de escritório estão descobrindo que suas funções podem ser substituídas por uma assinatura de vinte dólares por mês de um assistente de IA... eletricistas, encanadores, soldadores e mecânicos estão vivendo o melhor momento em décadas. Sobrando vaga. Faltando gente.

E isso levanta uma pergunta que ninguém esperava fazer em dois mil e vinte e seis... será que o futuro mais seguro do trabalho humano está nas mãos?

Para entender por que tanta gente está migrando para os ofícios manuais, precisa entender o que está acontecendo com os empregos de escritório.

Em dois mil e vinte e cinco, empresas americanas anunciaram um vírgula um milhão de demissões... o maior número desde a pandemia. A Amazon cortou quatorze mil cargos corporativos. O Block, de Jack Dorsey, eliminou quase metade da força de trabalho citando a IA. A Salesforce dispensou quatro mil pessoas do atendimento dizendo que a IA faz cinquenta por cento do serviço.

Em fevereiro de dois mil e vinte e seis, os Estados Unidos perderam noventa e duas mil vagas. Um ensaio viral da Citrini Research descreveu uma espiral em que agentes de IA substituem analistas e gerentes, as empresas lucram mais, investem mais em IA e cortam mais gente... num ciclo que se alimenta sozinho.

Exagero? Em parte, sim. A CNN observou que o desemprego ainda está em níveis administráveis. Muitas empresas estão fazendo o que especialistas chamam de "AI washing"... usando a IA como desculpa para cortes que na verdade têm a ver com redução de custos e erros de gestão. Mas a pesquisa da Anthropic mostrou que para trabalhadores jovens, a taxa de conseguir emprego em áreas expostas à IA caiu catorze por cento desde o lançamento do ChatGPT. Não é um apocalipse. Mas é uma corrente que mudou de direção.

E é aqui que a coisa fica interessante pra quem está começando a vida profissional no Brasil. Porque se o diploma universitário está perdendo poder de garantir emprego nos Estados Unidos, onde o mercado é mais dinâmico, imagine o que isso significa num país onde a fila do primeiro emprego já era longa antes da IA entrar na conversa.

...

Enquanto o mercado de escritório esfria, os ofícios manuais estão fervendo.

Nos Estados Unidos, o salário médio de um eletricista passou de sessenta e dois mil dólares por ano. O ganho semanal é catorze por cento acima da média nacional. E o emprego na profissão deve crescer nove vírgula cinco por cento até dois mil e trinta e quatro... três vezes mais rápido que a média geral.

Mas o dado mais revelador é a escassez. Todo ano, mais eletricistas se aposentam do que entram na área. O setor sindicalizado americano perde vinte mil eletricistas por ano e tem oitenta mil vagas abertas. A demanda por mão de obra qualificada está no nível mais alto da história.

A construção civil vai precisar de trezentos e cinquenta mil novos trabalhadores em dois mil e vinte e seis e quatrocentos e cinquenta e seis mil em dois mil e vinte e sete. A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, publicou um relatório mostrando que o emprego nos ofícios manuais vai crescer cinco vírgula três por cento na próxima década... contra três vírgula um por cento para o total das profissões.

E aqui está a parte que conecta tudo. Boa parte dessa demanda vem justamente da inteligência artificial. Os data centers que alimentam a IA precisam de eletricistas, técnicos de climatização e operários de construção para serem erguidos. Meta, Microsoft, Amazon, Google e Oracle juntas planejam gastar setecentos bilhões de dólares em infraestrutura de IA só em dois mil e vinte e seis. E data centers são prédios físicos, com sistemas elétricos complexos e tubulações que precisam de gente... com as mãos.

Jensen Huang, Presidente da Nvidia, disse no Fórum Econômico Mundial que a IA vai aumentar a demanda por trabalhadores manuais e que muitos desses cargos vão pagar salários de seis dígitos. Ele chamou o momento de a maior construção de infraestrutura da história.

No Brasil, a conversa é diferente nos números mas parecida na lógica.

O país tem um déficit crônico de mão de obra técnica. A CNI publica regularmente listas de profissões do futuro na indústria que incluem técnicos em automação, eletricistas industriais, soldadores especializados e operadores de máquinas CNC. O Senai forma centenas de milhares de técnicos por ano, mas a demanda continua superando a oferta em setores como energia, mineração e infraestrutura.

A mensalidade de uma faculdade privada de quatro anos no Brasil pode passar de sessenta mil reais ao longo do curso. Um programa técnico no Senai ou num instituto federal custa uma fração disso... quando não é gratuito. E o tempo de retorno é muito mais rápido. Um técnico em eletrotécnica pode estar empregado em menos de dois anos. Um bacharel em administração pode levar o dobro só para conseguir o primeiro estágio.

Nos Estados Unidos, as matrículas em cursos técnicos de curta duração saltaram vinte e oito por cento em quatro anos. As inscrições em programas de aprendizagem cresceram setenta por cento desde dois mil e vinte e dois. As matrículas em bacharelado cresceram menos de um por cento. A mensagem do mercado é clara... e ela vale dos dois lados do equador.

...

Agora, é preciso olhar o outro lado. Porque essa história tem nuances.

Trabalho manual é trabalho duro. Eletricistas, encanadores e soldadores enfrentam calor extremo, altura, espaços confinados e risco físico real. As taxas de lesão na construção civil são muito mais altas que em profissões de escritório. Romantizar esses ofícios sem reconhecer o desgaste seria desonesto.

A IA pode não substituir o eletricista, mas vai mudar o trabalho dele. Sistemas de diagnóstico inteligente, sensores conectados e ferramentas automatizadas estão transformando os ofícios por dentro. O profissional do futuro vai precisar saber operar um tablet tanto quanto puxar um fio.

A escassez de profissionais é real, mas tem causas que não se resolvem rápido. Décadas de estigma contra o trabalho manual, a pressão social pela universidade e a falta de investimento em educação técnica criaram um buraco geracional. Preencher oitenta mil vagas quando a formação leva quatro a cinco anos não é conta que fecha da noite pro dia.

E os salários altos de agora refletem em parte a escassez. Se a oferta de profissionais aumentar nos próximos anos, parte dessa pressão salarial pode diminuir. O mercado está quente, mas nenhum mercado fica quente para sempre.

O que fazer com essa informação

Se você é jovem e está decidindo o que fazer... considere seriamente uma formação técnica, antes ou enquanto está na universidade, especialmente em áreas ligadas a energia, infraestrutura elétrica e manutenção industrial. O custo é menor, o tempo de retorno é mais curto e a demanda é estrutural, não passageira. Isso não significa abandonar a ideia de faculdade. Significa questionar o reflexo automático de que universidade é o único caminho. Um diploma de quatro anos não garante emprego. Um certificado técnico em área de alta demanda, neste momento, está mais perto de uma garantia do que qualquer outra opção no mercado.

Se você já trabalha em escritório... não entre em pânico, mas também não ignore os sinais. Invista em habilidades que complementem a IA em vez de competir com ela. E mantenha os olhos abertos para setores que dependem de presença física.

Se você já está nos ofícios manuais... saiba que o seu momento é agora. Mas não se acomode. A tecnologia vai chegar ao seu campo também. O profissional que combina habilidade manual com competência digital vai ser o mais valioso da próxima década.

E se o cenário mais pessimista se confirmar e a IA provocar uma onda de desemprego entre profissionais de escritório nos próximos anos, a migração para os ofícios manuais vai se acelerar. Os programas de formação vão ficar sobrecarregados. A competição por vagas de aprendizagem vai aumentar. Quem se antecipar a essa onda vai estar melhor posicionado do que quem esperar o tsunami chegar.

No fim, a história do James Vandall não é sobre rejeitar a tecnologia. É sobre entender que num mundo cada vez mais digital, o valor do que é físico e feito com as mãos não diminuiu. Aumentou. Porque quanto mais coisas um computador consegue fazer, mais escasso e mais necessário se torna aquilo que ele não consegue.

E por enquanto, nenhuma inteligência artificial do mundo sabe trocar a fiação do terceiro andar da sua casa.

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